A Inutilidade do Intermediário September 8th, 2009

Proto

Uma discussão recente com um amigo abriu algumas portas na minha mente. Algumas coisas que mudaram a minha menira de ver grande parte deste momento na minha vida. Antes de mais nada, vamos à discussão:

Eu: Não fui feito pra essa coisa de faculdade

Ele: Cansou dessa coisa de Academia?

Eu: Não. Minha faculdade é muito pouco voltada pra academia.

Ele: O que vc tá aprendendo não te ajuda no trampo?

Eu: Nem. Quando eu aprendo alguma coisa, já é inútil.

Ele: É a merda de um programa criado quatro anos antes. Tu podia virar pesquisador.

Eu: Ia ser muito loko. Mas a tralha do lugar onde eu tô não dá base pra fazer mestrado.

Ele: Nem academia, nem prática?

Eu: É a merda do intermediário.

Essencialmente, é isso: não há grande utilidade para ensino intermediário. Faculdades como a FIAP, que te ensinam metade do que deveriam, não têm um porquê de existir, além de iludirem a si mesmas e ao mercado com um diploma de baixaréu.

Vamos aos fatos: quando você sai da faculdade, quase tudo o que você aprendeu de prático está obsoleto. Alguém conhece alguma empresa que ainda use DFD? Alguém ainda cai no conto do vigário da formação de líderes? C# vai ser a linguagem mais desenvolvida por quanto tempo? Pois é, eu tive (ou tenho) aula de tudo isso. Não que eu possa escolher, também: as grades são trancadas e não funcionam por créditos.

Academia não é uma opção. Discutir sobre o por que do desenvolvimento e morte do modelo fordista, abrir espaço para o pensamento de empresas socialmente responsáveis e que respondem por seus atos,treinar para uma competição internacional, desenvolver um tema novo, distante do que o mundo já conhece? Nem pensar: temos de aprender aquilo que o mercado usa, aquilo que já é tido como padrão. E nem pense em tentar fundamentar um argumento em Sun Tzu: “isso não é para o seu nível de estudo, você não está pronto para usar isso”. A Arte da Guerra não está nem no programa.

Universidades reais, como a USP ou a Unicamp permitem que seus alunos explorem o poder de sua juventude e curiosidade. Há pouco ensino da prática, do que é feito nas ruas. Mas há a possibilidade de estudos, de entender os fundamentos e a filosofia por trás de tudo o que nós temos hoje, desde o funcionamento da economia até o trabalho das máquinas mais simples. Em grandes universidades, não se perde tempo tentando correr atrás do que é atual: este será o trabalho do aluno para quando ele estiver no mercado de trabalho.

E quem ensinaria a prática? Quer jogar toda a responsabilidade de ensinar os profissionis sobre as empresas?, pergunta o cético portador de diploma da UniNove. As empresas não devem ser responsáveis por todo o conhecimento que seus profissionais precisam ter. Apenas por parte dele.

Bons profissionais procuram seus treinamentos: metem-se em aulas intensivas, encontram equilíbrio nas certificações, correm atrás de conhecimento onde quer que podem, experimentam, estudam. Pode-se aprender os fundamentos de Marketing em quarenta horas, os princípios lógiso de um banco de dados em vinte, as estruturas de genrenciamenot de processos em quinze. Ninguém precisa de um semestre ou um ano para tais materiais, e muitos outros: os que usamos na vida real. Todo o resto, aprenderemos da mesma maneira que aprenderíamos recém-saidos da faculdade: errando.

Nenhum desses modelos tem um diploa de verdade e ganham mais do que você.

Nenhum desses modelos tem um diploma de verdade e todos ganham mais do que você.

Mas é claro que ninguém quase fará isso: as empresas exigem diplomas bonitos e emoldurados pendurados em paredes e perda de tempo em provas para que profissionais sejam permitidos usar seu logo no cartão de visitas. É claro: elas querem segurança de que os profissionais serão instruídos e capazes; serão bons trabalhadores e dedicados. Características essas obviamente demonstradas pela poss de um papel assinado.

A verdade é que a grande maioria das empresas quer gente tão indocrinada quanto seus gestores atuais, que estão presos em uma maré de incertezas, mas recusam-se a aceitar isso e jogam pelo “caminho seguro”: aquele onde nada pode dar errado, mesmo que isso custe sacrificar toda a criatividade e boa-fé do mundo. Nenhum designer precisa ter terminado a FAAP para entender de manipulação de imagens, nenhum programador precisa ter frequentado o IME para escrever bons objetos. Mas o “caminho seguro” não passa por alguns bons livors e muita auto-melhoria: passa por quatro anos de tortura e um TCC.

“Mas e os médicos? Os engenheiros? Você não quer uma criatura com cem horas de estudo construindo pontes!” Não. Mas admitamos: 90% das pessoas tornam-se engenheiros para virarem supervisores de área, enfermeiros para cuidar de pré-escolas e físicos para serem programadores. Não seríamos todos mais felizes se pudéssemos estudar apenas o que REALMENTE queremos e estar prontos para aquili que realmente vamos fazer?

Médicos podem passar dez anos na faculdade: aprenderão toda a base e folosofia nos primeiros anos, todas as práticas nos últimos, e a profissão se auto-regulou para exigir que todos se reciclem, estudem e pesquisem o tempo todo. Alguams outras profissões têm o mesmo caminho. Para os outros 89% da humanidade, seria mais interessante viver sem ter de desperdiçar quatro anos de nossas vidas.

Isso se tivéssemos coragem de parar de nos enganar.

This entry was posted on Tuesday, September 8th, 2009 at 11:52 pm and is filed under rant. You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.


One Response to “A Inutilidade do Intermediário”

  1. Giovanni says:

    é um ponto fundamental esse, que venho discutindo comigo mesmo a um tempo: nao é o aluno que se mostra indisposto ao olhar crítico e o desenvolvimento da area, mas sim muitos mestres e pessoas já de tais areas. O olhar critico (filosófico) se perdeu quando nos tornamos máquinas de (re)produçao em massa: sò nos basta fazer o necessário e aquilo que produzirà bens para trazer lucros, etc. Logo, facilmente se perde toda uma boa construçao correta e ponderada num dos pontos fundamentais da sociedade: no trabalho, na produçao de capital e no desenvolvimento estrutural. (algo assim) E só reclamamos de algumas areas(definitivamente importantes de serem discutidas, mas nao somente discutir essas.) deixando de discutir o mundo ao qual grande maioria faz parte, a saber, o mundo onde produzimos e criamos, como engrenagem social.

    Simplesmente o processo poderia ser o mesmo ao qual estamos, só que nao nessa estruturaçao mental indevida.

    Abraços, qualquer hora discutimos isso…

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