A sensação de estar atrasado não é nenhum pouco nova para mim. E não estou falando de chegar ao comprimisso quarenta minutos mais tarde: estou falando de chegar atrasado a uma tendência.
Sou um late adopter da maior parte das tendências: resisti uns bons seis meses para criar uma página no Orkut, mais de um ano para entrar no Facebook, dois anos para trocar o monitor CRT, quase cinco para comprar um Playstation 2 e simplesmente não sinto a menor necessidade de ter um iPhone.
Para algumas coisas eu ainda sou vanguarda: meu primeiro blog data de 2003, meu primeiro site de 2001. Meu blog já tem análise de tráfego, me preparo para gerar uns trocados com Adsense, entre outras coisas relacionadas ao “novo mundo” da internet. E descobri recentemente que essa era a onda que conta.
Ouço muita gente dizendo “hoje em dia não se faz nada sem internet” ou “internet é o único jeito de se vender algo”. Sempre levei isso com um grão de sal: trabalho numa empresa liga a marketing digital e sempre me meti num mundo onde as pessoas procuram no Google antes de perguntar ao vizinho. Lógico que nesses lugares a internet é vital. Para o resto do mundo, sempre achei que era um exagero. Claro que comércio varejista tinha de entrar na web, ou alguém ainda tem ilusões quanto a comprar uma TV de 50 polegadas e colocar no porta-malas do carro? Mas achei sempre que a cadeia de fornecimento das empresas estaria imune, segura em sua torre de marfim de conservadorismo e técnicas herdadas de 1957 e as relações interpessoais cliente-fornecedor, todas mantidas com jantares, almoços e contatos que tinham décadas de idade.
Ah, mas como eu estava enganado!
Fui conversar recentemente com alguns donos de empresas amigos meus. A frase que mais se ouvia era
Preciso melhor meu site! Só recebo prospect por lá!
Claro que eles ainda tratam os prospects por telefone, que fazem as negociações mais pesadas pessoalmente. Alguns hábitos nunca se perdem. Mas começaram a perceber a importância dos Links Patrocinados, de um SEO bem feito, de uma página que realmente mostre os produtos, de um e-mail.
A maior parte das licações chegam por causa do site, as apresentações da empresa têm de ser feitas por e-mail, seu pagerank no Google é diretamente proporcional ao número de negócios fechados.
Fatos que eu não aceitava. E muitas empresas ainda estão atrasadas: não têm sites navegáveis, não gerenciam as campanhas online, não verificam os sites de concorrentes, ainda estão preocupados em proteger a sua preciosíssima propriedade intelectual ou ainda proíbem seus funcionários de usar a web de maneiras produtivas.
Sim, podemos aceitar que muitas empresas não estão prontas para ter um blog ou para criar uma conta no Twitter: são imaturas, recentes demais nesse mundo estranho onde temos de confiar nas pessoas com quem trabalhamos.
Mas um fato tornou-se inegável: elas precisam da web, e vão precisar de profissionais qualificados tao logo quanto puderem conseguir. Isso ou vão ficar tão constrangidas quanto a convidada que chega duas horas mais tarde para a festa. E com o mesmo vestido da anfitriã.
This entry was posted on Thursday, September 3rd, 2009 at 9:55 pm and is filed under Uncategorized. You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.
