Liderando a Perda de Tempo August 19th, 2009

Proto

Recentemente eu li que haviam lido (e, portanto, fui ler) um posto do Luli Radfahrer, em que ele comenta sobre “falar em 600 o que se pode dizer em 5″, referindo-se a livros que dizem coisas de menos em espaço demais. Acabei de ler mais um livro assim: A Pílula da Liderança.

Escrito nos mesmos moldes de O Monge e o Executivo e O Gerente Minuto, este livro é essencialmente escrito para se vender livros: personagens que são desculpas para se colocar momentos nas falas, conceitos ultrapassados (quando não imbecis) misturados a uma mensagem que pode (e é) resumida em duas páginas no final do livro e imprecisões históricas (insinuando, por exemplo, que Bonaparte era um líder ruim, quando o desgraçado foi ELEITO imperador. Não se pode ser mais confiável do que isso.)

Em suma, os três livros dizem as mesmas coisas, nesta ordem:

  • O seu chefe é um péssimo líder
  • Você não sabe liderar nem o seu cachorrinho de estimação
  • Gerenciar não é liderar
  • Liderar é baseado em coisas óbvias
  • O líder que segue esses preceitos sempre vence no final

É, ridículo. Para demonstrar um pouco mais o quão os três livros são um grande desperdício de papel ou de espaço em disco, vou escrever todos os conceitos importantes contidos neles:

Para ser um bom líder, trate os seus subordinados como gente e seja claro com eles.

E desafio qualquer um a provar que estou mentindo.

Há, no entanto, de se dar algum crétido aos autores: escreveram livros direcionados aos milhões de profissionais que nasceram na geração anterior ou a anterior a ela e estão presos em um mar de hipocrisia, empresas que não poderiam se importar menos com o que seus clientes precisam, quanto mais com o que seus funcionários entendem ser bom (está ouvindo, Bradesco?).

Ainda assim, os autores se traem, ao serem hipócritas eles mesmos, vendendo algo por um valor infinitamente superior ao que é merecido (EMI, alguém?), criando uma legião de estúpidos que realmente acreditam que as palavras destes “gurus” valem mais do que o bom-senso e os seguem, como boas ovelhas. Não líderes. Carneirinhos.

Para não dizer que eu não dei a minha contribuição para o mundo da administração e liderança, deixo aqui um pensamento que nenhum deles jamais pensou em colocar:

Bons líderes questionam tudo ao seu redor e garantem que aqueles ao redor dele façam o mesmo.

Isso sim é liderança: gera um descontente eterno, alguém que vai procurar respostas para tudo e vai dizer “por que não?” ao invés de “porque sim!”. Gera liderados e líderes inovadores, gera escritórios que sempre mudam, gera paradigmas que não se cansam.

O óbvio – tratar as epssoas com decência e de acordo com o que merecem – não agrega. Apenas nos tira do pré-revolução-francesa e faz as pessoas lembrarem que a regra é

Liberdade, Igualdade e Fraternidade ou Morte!

E ninguém lembra da parte do “ou morte!”.

Mas tudo bem, o mundo ainda não se acostumou com isso. Só temos esses conceitos há o que? 200 anos?

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This entry was posted on Wednesday, August 19th, 2009 at 5:29 pm and is filed under rant. You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.


One Response to “Liderando a Perda de Tempo”

  1. Giovanni says:

    É uma liberdade, igualdade e fraternidade baseada em pequenos grupos reclusos… Bebendo seus scotchs, com seus armanis, nos vales dourados ou iates. Todos rindo, pois, nesse momento, eles exercem os preceitos da revolução francesa. Um fraternidade sem igual, uma liberdade que é mais libertinagem, ou as vezes, putaria. E uma igualdade…ah, não dá.
    Estou estudando sobre o conceito de poder. Não existe até hoje um conceito velho e funcional, nem novo e funcional que demonstre o Poder práticado da maneira perfeita – quando não falamos ainda do poder coercivo; quando este ocorre só existe um caos. Mas, quando todos homologam e, havendo um bom dialogo, os objetivos se descobrem comuns pode haver sucesso – e chuto, só chuto, que não necessita de coerção nenhuma, somente boa vontade e disposição conjunta; isso tudo eu falo pode ser observado desde uma familia até um grande estado, passando pelas empresas.
    Abraços

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