O Cavaleiro July 30th, 2009

Proto

A chuva caia torrencialmente, deixando o solo menos sólido, a armadura mais pesada, as armas menos úteis. Muitos diriam que seria loucura atravessar tal intempérie. Muito disseram, gritaram, imploraram para que ele ouvisse. Mas ideias têm uma maneira interessante de se tornarem inúteis: basta apenas um ouvido que as ignore.

Sua montaria não o acompanhou. Seus passos tornavam se cada vez mais pesados sobre a água, mas ele caminhava. Espada em riste, em direção a uma batalha que duraria muito mais do que ele esperava, mas estava muito mais próxima do que qualquer um pensava.

Mais uma milha e colina acima, o exército despontou contra a lua. Espadas em riste, lanças aprumadas, bandeiras tremulando. Montarias ansiosas, guerreiros furiosos, carga!

O cavaleiro permaneceu. Seu grito era muito mais alto que o som de trovões retumbando à distância, sua postura muito superior àquela dos inimigos descendo a colina com sua angústia cega. O cavaleiro permaneceu, o inimigo avançou.

Golpes de espada, a lâmina embotando de água e sangue. A armadura amassada, o escudo partido. Linha por linha, o exército passava por ele, pagando em vidas por cada passo em que o ignoravam. O cavaleiro permanecia, sua presença apenas sentida em número de inimigos caídos, as linhas se partindo.

O exército passou, e o cavaleiro continuou sua caminhada. A batalha não acabara: a chuva ainda caía, e o castelo estava longe. Ele sabia que aquele era o seu destino: o lugar onde repousava seu passado.

Havia muito tempo que ele havia atravessado os portais perolados. Havia muito tempo que havia gritado e lutado por aquilo que acreditava, rejeitado por seu rei, abandonado por sua rainha, enviado à batalha perdida por seu general. O general que agora jazia numa cama, mortalmente ferido perseguindo um princípio que não era seu.

O cavaleiro agora voltava para casa. A lâmina embotada, a armadura rasgada, o escudo partido, o elmo despedaçado. O coração limpo, a integridade intacta.

O cavaleiro não permanecia. Mas sua coragem nunca se moveu.

Fazia muito, muito tempo que eu não escrevia algo. A pena O teclado estava sem ponta criando mofo, já. Resultado aquém de Lying Peacefully (Dead ) in The Snow, mas eu ainda assim gostei. Comentários são muito bem vindos, nessa infinitésima história sobre fazer o que se acredita.
PS: eu raramente reviso digitação.

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This entry was posted on Thursday, July 30th, 2009 at 2:32 pm and is filed under rant, writings. You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.


2 Responses to “O Cavaleiro”

  1. Interessante. Faz tempo que não leio textos como esse. bravo

  2. Giovanni says:

    gostei mesmo. Escreva mais detalhes sobre a história. =D

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